RUE


Delegação ao PCP

Relato do encontro entre uma delegação da Lista do POUS/RUE e um dirigente do PCP

No passado dia 24 de Junho uma delegação de militantes da Lista do POUS/RUE – constituída por Carmelinda Pereira, Joaquim Pagarete, José Guimarães e Teresa Fernandes – foi recebida, na sede do PCP, por um membro da Comissão política deste partido, Jorge Pires.

Começando por afirmar que não era objectivo dos militantes da Lista do POUS/RUE dar qualquer lição ou concorrer com o PCP, Carmelinda Pereira apresentou a razão de ser do pedido daquele encontro, como sendo a expressão da vontade em contribuir para a unidade de todas as organizações dos trabalhadores, única maneira de poder ser imposto ao Governo a proibição dos despedimentos. José Guimarães reforçou esta posição, afirmando que se tratava da defesa da classe trabalhadora e da sua existência – já que os trabalhadores não podem viver senão do seu trabalho – bem como da sobrevivência da própria sociedade portuguesa.

Jorge Pires saudou a nossa iniciativa, pelo interesse relevante da mesma, afirmando: “Vamos colocar como tema central – no debate na Assembleia da República desta tarde, com o Primeiro-ministro – o desemprego e a destruição do tecido produtivo.”

Explicou, ainda, que todos os indicadores mostravam que Portugal se encontrava numa profunda recessão e que, segundo vários analistas, iria haver uma segunda vaga da crise ainda mais profunda, e que há muitos anos que o PCP vinha a alertar que isto iria acontecer.

Referindo-se à intervenção do PCP na sociedade portuguesa, Jorge Pires afirmou: “Temos a força institucional que vocês conhecem, temos feito um esforço muito grande para que os trabalhadores venham para a luta, e muitos trabalhadores já perceberam que só as eleições não irão alterar grande coisa.”

Comentou, em seguida, a situação na Auto-Europa, como sendo um laboratório do imperialismo em Portugal, onde, desde há muitos anos e sob a pressão da chantagem, os trabalhadores têm sido levados a perder direitos em nome da preservação do seu posto de trabalho. Caracterizando como incompreensível  a posição da CT daquela empresa (da responsabilidade do BE) – na defesa do acordo com o patronato que os trabalhadores rejeitaram – Jorge Pires referiu a possibilidade de, com o arrastar da situação, os mesmos trabalhadores poderem voltar atrás no sentido do seu voto, o que considerava das piores machadadas na sua consciência de classe. A propósito do que Carmelinda Pereira recordou a necessidade de evitar o isolamento da luta destes trabalhadores, como no caso dos professores, cujo combate deveria ter sido unido à luta de todos os trabalhadores da Função Pública na defesa do vínculo, evitando a sua desmobilização.

Jorge Pires falou, também, da situação das pequenas e médias empresas – que são o suporte do tecido produtivo e que não têm apoio nenhum. Neste sentido, os despedimentos – que já ultrapassam os 600 mil – só poderão continuar, numa situação em que na agricultura a situação é igualmente de catástrofe, dando como exemplo o que está a acontecer aos produtores de leite, incapazes de poder competir com a colocação de leite que vem do estrangeiro a 39 cêntimos o litro.

Mostrando, assim, que a resposta ao problema central do desemprego só poderá ser feita com a defesa do tecido produtivo nacional, o que exige a renacionalização da Banca e dos outros sectores estratégicos da economia (como é caso da energia, dos transportes e das telecomunicações).

Jorge Pires citou o caso do BPN, em que o Governo nacionalizou a parte arruinada do banco, injectando-lhe milhões, para depois a voltar a privatizar, deixando os activos valiosos, na mesma, nas mãos dos especuladores. É como ficar com “os ossos” e deixar-lhes “a carne”. E acrescentou que o Governo recusou a proposta do PCP que defendeu a nacionalização do banco por inteiro, transformando-o num banco especializado para apoiar as pequenas e médias empresas.

A este propósito lembrou, ainda, a preocupação com o futuro dos 4500 trabalhadores do BPN.

Esta exposição levou a delegação a defender a necessidade do PCP utilizar a sua enorme força na sociedade portuguesa, sobretudo nas organizações sindicais e nas CT.s – recordando que estas aprovaram a renacionalização dos sectores estratégicos da economia nacional no seu último Encontro – para promover a mobilização dos trabalhadores, com todas as suas  organizações, a fim de impor ao governo de Sócrates a proibição dos despedimentos. Este era o objectivo que norteava toda a acção dos militantes da Lista do POUS/RUE.

Jorge Pires disse à delegação que iria apresentar a nossa proposta na próxima reunião da Comissão Política do PCP.

Anúncios

1 Comentário so far
Deixe um comentário




Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s



%d bloggers like this: