RUE


Delegação ao Bloco de Esquerda

Relato do encontro entre as delegações do POUS/RUE e do BE,

realizado no dia 22 de Junho de 2004, na sede do BE, em Lisboa

Carmelinda Pereira, Paula Montez, Margarida Pagarete, Maria Helena Gomes – membros da Lista POUS/RUE às eleições para o PE – e José Guimarães, apoiante desta lista, foram recebidos por José Gusmão e Rogério Moreira, dirigentes do BE.

Objectivo do encontro: trocar opiniões sobre a possibilidade de uma acção em unidade para exigir a proibição dos despedimentos.

Do diálogo havido, tomamos nota do seguinte:

Quer o BE quer o POUS consideram de extrema gravidade a situação dos despedimentos em massa e do trabalho precário.

O BE caracteriza a actual situação como “uma catástrofe social imensa” e coloca como primeira prioridade do seu programa político a luta pelo emprego.

Para o POUS, defender os postos de trabalho é defender um direito inalienável que  permite aos trabalhadores sobreviver na sociedade em que vivemos e, em simultâneo, defender os sectores produtivos da sociedade, sem os quais não haverá futuro. Aceitar a situação em que se vive, seria aceitar a morte anunciada.

O BE – no seu programa eleitoral em elaboração e discussão pública – aponta como medidas imediatas a exigência de revogação do Código do Trabalho, bem como a proibição dos despedimentos nas empresas que derem lucro e a abolição do sigilo bancário, para que possam ser evitadas as falências fraudulentas.

Avança, ainda, com a exigência de medidas de protecção social aos desempregados.

O BE tem a preocupação de ganhar uma maioria – pelo menos na opinião pública e, se possível, social – para, depois, a traduzir em maioria política.

Procura encontrar plataformas de luta entre todos quantos estão com a mesma preocupação, ajudar a alavancar lutas nas empresas de grande dimensão, sem contudo pretender impor-se às organizações dos trabalhadores nas empresas.

Reconhece que existe uma maioria de esquerda, procura dar o seu contributo para que esta se solidifique, avançando com a expectativa da alternativa possível.

Tem a preocupação em avançar com propostas que possam ser maioritárias, pondo reticências naquelas que lhe retirem apoio, como é o caso da proposta do POUS de exigência de proibição dos despedimentos. [não sei se colocaria o problema nestes termos]

A Lista do POUS/RUE considera que é necessário encontrar uma resposta para todos os trabalhadores, e não apenas aqueles que estão em empresas lucrativas. Para conseguir este objectivo é necessária a mobilização de todos os recursos do País, nomeadamente a renacionalização do sector energético, medida que o BE também defende.

O POUS considera que um tal plano exige um Governo que adopte uma política em que o eixo determinante seja o da defesa dos interesses dos trabalhadores e de todos os postos de trabalho, sob pena de ser continuado o processo de destruição da Segurança Social e dos outros serviços públicos.

Foi sublinhado que a palavra de ordem de proibição dos despedimentos, para os membros da Lista POUS/RUE, não é propaganda. É sim um objectivo em torno do qual se batem para ajudar à realização da unidade para um mesmo fim de todas os partidos políticos que se reclamam da defesa dos interesses dos trabalhadores e do socialismo, independentemente da opinião que possam ter sobre a União Europeia. Consideram que este objectivo não é sindicalista; é um objectivo político, que traduz uma opção pelo socialismo, uma opção pela ruptura com as medidas do sistema capitalista, que os diferentes governos têm posto em prática até esta data, em Portugal.

Há quem levante o problema das pequenas ou médias empresas insolventes. Pois será com uma política cuja lógica seja a da defesa de todos os postos de trabalho, de proibição dos despedimentos que poderão e deverão ser criadas ou apoiadas as redes ou associações dessas empresas, a partir das quais poderão ser canalizados os recursos necessários para as manter, com os seus postos de trabalho.

É convicção da Lista do POUS/RUE que, se o BE avançasse também uma tal proposta, isso seria um extraordinário impulso para a mobilização dos trabalhadores, para ajudar a realizar a unidade da classe trabalhadora – a qual só pode ser realizada tendo por base as suas organizações. A delegação do BE ficou de transmitir estas posições à Mesa do Bloco de Esquerda.

Por sua vez, a Lista do POUS/RUE ficará a aguardar uma resposta, ao mesmo tempo que irá continuar a agir – com os meios democráticos ao seu alcance – no sentido de contribuir para a realização da unidade dos trabalhadores com as suas organizações políticas e sindicais, em defesa da proibição dos despedimentos, independentemente das posições que cada uma possa ter noutros assuntos.

A Lista do POUS/RUE considera que será através dessa unidade que se poderá ajudar o conjunto dos trabalhadores a derrotarem as políticas que decorrem das directivas da União Europeia e dos seus tratados.

Trata-se de uma questão vital para os trabalhadores e para a sociedade no seu conjunto.


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