RUE


Declaração Lista POUS/RUE
Junho 11, 2009, 12:30 am
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Os trabalhadores portugueses rejeitam

o governo de Sócrates e a União Europeia

O resultado das eleições para o Parlamento Europeu, penalizando de maneira estrondosa o PS, privando-o de 571 mil votos (-37,7% do que em 2004), constitui a condenação inequívoca da política do governo de Sócrates, que – tendo obtido uma maioria absoluta de votos em 2005, para mudar as políticas dos governos anteriores, em particular do governo de Durão Barroso – decidiu continuá-las, de forma ainda mais brutal, subvertendo e defraudando o sentido do voto que levou a essa maioria.

O enorme enfraquecimento e desautorização, aos olhos da população trabalhadora portuguesa, para onde o PS foi arrastado pelo governo de Sócrates, exprimem a profunda rejeição das políticas ditadas pela União Europeia, que levaram e continuam a levar à destruição massiva do tecido produtivo, em todos os sectores da economia nacional, com despedimentos em massa e um crescendo de trabalho precário, com ataques a todos os serviços públicos e aos seus trabalhadores.

Esta mesma rejeição está expressa na abstenção recorde e na subida para perto de sete por cento dos votos brancos e nulos, numa situação em que cresceu significativamente o número de eleitores inscritos.

Perante este cenário de tão grande rejeição das políticas da União Europeia, é grave para o país e para a democracia que o Governo responsável pela sua execução declare que não se afastará da estratégia traçada, de subordinação completa àquelas políticas, bem como às instituições de onde emanam.

De qualquer modo, os candidatos da Lista do POUS/RUE reiteram a posição que sempre foi a sua, de que não haverá qualquer alteração para melhor na vida do povo português, nem da dos outros povos da Europa, com estes ou quaisquer outros resultados eleitorais, pois o Parlamento Europeu não serve senão para caucionar as directivas da Comissão Europeia e das Cimeiras do chefes de Estado e de Governo, bem como as políticas do Banco Central Europeu.

A superação da crise só pode ser conseguida

com a mobilização unida da classe trabalhadora

com as suas organizações políticas e sindicais

A rejeição destas políticas implica que se mude completamente as condições de vida da população trabalhadora portuguesa.

A alteração positiva na vida da população trabalhadora portuguesa, permitindo pôr em prática um plano de reconstrução da economia nacional, implica uma política de mobilização de todos os recursos do país, a começar pela imensa energia dramaticamente desbaratada de milhões de trabalhadores, de todos as idades, de todas as formações, de todas as áreas. Essa alteração positiva implica colocar ao serviço do país os seus sectores estratégicos, renacionalizando-os e procurando políticas de cooperação com os outros povos da Europa.

Este caminho exige a ruptura com as directivas e os tratados da União Europeia, começando a dar corpo aos alicerces da construção de uma união livre de nações soberanas, onde os interesses dos povos e a defesa da democracia ditem a lei, em vez da dominação das multinacionais e do capital financeiro.

Com esta posição política, os membros do POUS e da RUE, apresentaram-se às eleições para o PE no intuito de ampliar a campanha política levada a cabo para exigir ao Governo a proibição dos despedimentos.

Intervenção que não se confunde com uma mera campanha política do POUS. Ela corresponde aos interesses da esmagadora maioria do povo trabalhador português, independentemente das diferentes concepções que tenha do desenvolvimento de Portugal e da Europa.

Foi por isso que nos dirigimos, neste sentido, a todos os partidos políticos que se reclamam da defesa dos interesses dos trabalhadores e do socialismo. O POUS e a RUE reiteram este apelo, numa situação em que o reforço do voto à esquerda faz aumentar significativamente as suas responsabilidades.

Os 5100 eleitores que nos deram o seu voto identificam-se com estes objectivos. São 5100 votos de esperança e de confiança na luta pela unidade dos trabalhadores com as suas organizações, para obrigar o Governo a tomar todas as medidas que levem à proibição dos despedimentos, para derrotar a política da direita em todas as suas formas, que tem como fonte a União Europeia.

Apoiando-nos neste resultado e nos mais de 1100 trabalhadores e jovens que assinaram uma carta a exigir do Governo a proibição dos despedimentos, assim como nas respostas que nos deram dirigentes sindicais e membros de Comissões de Trabalhadores, os militantes do POUS e da RUE irão prosseguir a campanha política já desenvolvida. Uma campanha que deverá tomar a forma de um Encontro Nacional que constitua mais um passo na construção da unidade dos trabalhadores com as suas organizações, um ponto de apoio para a concretização da proibição dos despedimentos.

A Lista do POUS/RUE para as eleições ao Parlamento Europeu

Lisboa, 9 de Junho de 2009

POUS_RUE

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1 Comentário so far
Deixe um comentário

esta análise aos resultados não tem a concordância do membro da lista, jaime crespo.
porque o reforço da direita, inclusivamente a direita racista e xenófoba, não só em portugal mas generalizadamente no resto da europa não é para mim motivo de regozijo nem me leva a proclamar vitória. quanto a mim esta batalha, por enquanto, foi perdida, vamos reflectir no que levou a isso e prepara estratégias futuras, porque a luta, essa, continua!
jaime crespo

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